Apesar de nos dias atuais haver, em geral, maior acesso à educação e ao conhecimento do que há alguns anos atrás, muitas crianças e adolescentes têm se encontrado desmotivados a seguir com os estudos, deslumbrados por outras possibilidades que surgiram com o advento da internet e da figura dos influenciadores digitais, que se tornaram celebridades nas redes sociais e encontram nelas uma forma lucrativa de trabalho, o que teoricamente dispensaria a necessidade dos estudos tradicionais. No Brasil, em 2018, foram 1,3 milhão de matrículas a menos, contabilizando cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola. Dentre estes, a maior taxa é a dos adolescentes de 15 a 17 anos, nesta última idade, 915.455 que hoje não estudam. Será que os estudos tradicionais são realmente dispensáveis para esta nova geração?Aproveitando o ensejo do Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, que honra a importância da escola e traz à reflexão temas pertinentes ao ensino, a pedagoga especialista em psicopedagogia, Luciana Salem Cerqueira Curi, diretora do colégio Alpis Veredas, explica que é preciso que a escola se reaproxime desta nova geração de jovens conectados ao mundo virtual para evitar a evasão, o que acontece quando se estabelece diálogo e com a percepção das suas necessidades e anseios: “a escola deve estar preparada para enxergar a criança e o adolescente, respeitando suas características, habilidades e necessidades individuais, inclusive o de brincar, se socializar e aprender através das vivências que somente o ‘chão da escola’ é capaz de proporcionar”.

Luisa Ferrari e diretora Luciana. (Reprodução / MF Press Global

Influenciadores digitais em sala de aula

Luisa Ferrari tem apenas 9 anos, já participou do The Voice Kids e hoje tem uma carreira artística consolidada como influenciadora digital e cantora, acumulando milhares de seguidores nas redes sociais e com vídeos no YouTube que já atingiram centenas de milhares de visualizações. Apesar de ser uma estrela mirim, Luisa divide o tempo entre os estudos e a carreira artística de forma consciente. A pedagoga tem acompanhado o caso de Luisa atentamente, junto com sua mãe, Vanessa Ferrari: “conciliar estudo e carreira pode não ser uma tarefa fácil, especialmente quando se é criança, porem, com alguns cuidados, podemos ajudá-las a encontrar o equilíbrio ao desempenharem os seus papéis. Contudo, a criança deve ser tratada como criança e não como uma celebridade mirim, e isto garantira a ela o desenvolvimento de seu senso de igualdade e empatia, evitando que construa uma visão de mundo deturpada, sendo ela o centro das atenções”.

Luisa Ferrari e diretora Luciana. (Reprodução / MF Press Global

A escola não é dispensável

Luciana também acredita que independente de todo o sucesso na internet e nos palcos, é preciso priorizar os estudos, que serão importantes para todas as fases da vida: “Na medida do possível, as atividades escolares podem adaptar-se às necessidades de agenda dos artistas, porém, a criança e a família devem ter em mente que os estudos são prioritários na vida de todos nós. Afinal, a vida não é só o glamour e, independente da carreira que seguirá, seja artística ou não, é essencial que a criança tenha educação para o desenvolvimento crítico e intelectual”.